13 de dezembro de 2010


Capítulo XIV
Chegamos, e a entrada já estava bem movimentada. Todos olhavam apreensivos à limousine nada discreta que parava ali em frente. Todos desceram e me senti como em um filme antigo elegante. Coloquei os pés para fora do carro, e todos começaram a aplaudir a adorável chapeuzinho vermelho. Sorri para todos, e os convidei para entrar. Aliás, nem sabia o porquê estavam ali fora, pois lá dentro, a festa já começara. Cumprimentei todos e fui dançar com meus amigos. Tudo estava indo bem, mas alguma coisa tinha que dar errado. Um certo tumulto na porta me fez perder cinco minutos de minha festa.
- Seguranças, já disse! Se não estão na lista, não entram!
- Kat! Espere! Eu preciso entrar.
- Kayla? Não sabia que você teria coragem de aparecer aqui e querer entrar, depois de tudo o que você me fez.
Meu pai se aproximou e me conduziu à grande escada do salão.
- Vamos lá pessoal, agora não é hora.
Todos já esperavam por meu discurso, e na verdade, até eu mesma esperava fazer um discurso. Mas não era por esse motivo que estava ali.
- Agradeço a presença de todos na festa de minha filha Kat e por fazerem dessa noite, uma noite especial. Apesar de eu sempre vê-la como uma princesinha, tenho de admitir que há muito, se tornou uma mulher. Madura, responsável, intelectual e decidida. E é por isso que nosso presente para ela não é apenas um presente, mas sim um passo em direção à sua própria independência. Eu e minha mulher planejamos um bom presente com sua melhor amiga, e peço pra que ela venha até aqui e o entregue.
Kayla com uma expressão séria subiu os degraus com uma caixinha em mãos. Eu a olhei sem entender nada, e ela me entregou o presente. Bem, adoro a palavra independência, mas não achava que uma caixinha tão pequena pudesse causar determinado efeito.
- Eu não estou acreditando. Não pode ser! Meu Deus, pai! Mãe! Não é o que estou pensando, certo?
Em meio aos aplausos, minha mãe pegou o microfone.
- Andávamos em busca de um bom presente há meses, mas nada nos agradava. Foi aí que Kayla foi
visitá-la um dia em que estava fora, e por também fazer aniversário próximo ao seu, nos deu uma ótima idéia.
Eu sorri e a abracei forte. Mas ela continuou a falar.
- Então entramos em contato com os pais dela, e decidimos comprar um apartamento para essas duas incríveis melhores amigas, para que elas possam conquistar a independência, na companhia de uma linda amizade.
Meu sorriso sumiu no mesmo segundo. Olhei para Kayla e ela continuava séria. Porém, não ia causar nenhum conflito em minha própria festa. Fui até ela a abracei.
- Depois decidimos como vai ser. Meu pai comprará sua parte.
- É aí que vamos ver.
Não me abalei e deixei que a festa continuasse. Estava pelo menos mil vezes mais feliz, pois ganhei meu próprio apartamento e eu sei que Kayla acabaria cedendo, afinal, sempre consigo o que quero.
Decidi vestir minha segunda fantasia. De princesa. Mas agora, uma princesa independente, acredito.
Quando voltei ao salão, alguém colocou sua mão em minha cintura e disse baixinho.
- Me concede essa dança?
Pensava que era Zac. Me virei e me deparei com um grande buquê de rosas vermelhas.
- Obrigada cavalheiro. Depois de lindas rosas, impossível recusar.
Peguei o buquê e pude ver seu rosto.
- Joe.
Estendi minha mão e estava prestes a tocar seu rosto, mas recuei. Estava com medo que tudo isso fosse um sonho, pois essa noite estava perfeita demais para ser verdade. Meu olhos se encheram de lágrimas e ele me abraçou. Não queria que este momento acabasse nunca.
Depois de muita dança e muitas fotos, estava na hora de vestir minha última fantasia e cantar os parabéns.
Vestida de Dorothy, cortei o bolo de creme de avelã e trufa coberto com chocolate belga e amêndoas. Peguei o primeiro pedaço para Joe, que pegou uma garrafa de champagne e me levou ao jardim. Sentamos na grama, e, abraçados comemos o bolo, bebemos champagne e conversamos. Sorri e me deitei para olhar as estrelas.
Ele se deitou ao meu lado e ficamos nos olhando por alguns segundos. Ele era lindo. Seus cabelos dourados estavam ainda mais brilhantes, seus olhos azuis ainda mais profundos e seus lábios ainda mais irresistíveis. Acho que ele estava pensando a mesma coisa, pois se aproximou e tocou os meus, delicadamente.




27 de novembro de 2010


Capítulo XIII

Acordei cedo, vesti meu roupão rosa bebê e desci contente. Na cozinha, um grande banquete e pais sorridentes esperavam por mim. Sim, eu conhecia aquela animação. Aquelas expressões queriam dizer "Filhinha, é hoje!". E aí, me abraçaram tão forte que quase me sufocaram.
- Parabéns minha querida! Um ano mais mais velha, um ano mais mulher! Como o tempo passa!
- Obrigada mãezinha. Discurso diferente esse ano, hein?
Rimos e ela me abraçou novamente. É uma piada que temos todo ano, pois, todo ano ela diz o mesmo. Mais um ano, como o tempo passa, blá blá.
- Ei princesinha! Dê um abraço no seu pai! Mais velhinha então?
- Paizinho lindo! Acho que está na hora da princesinha abandonar o cargo. Aliás, um ano faz diferença, não é?
Ele bagunçou meu cabelo e contou a piada do dia. Foi divertido. Comemos e eu subi tomar meu banho. Vesti a saia pregueada cinza do uniforme, com um suéter fino branco, um lenço azul turquesa e um sapato preto fechado. Prendi meu cabelo em um coque desarrumado, coloquei um par de brincos de pérola. Um pouco de pó compacto, sombra iluminadora, rímel e blush rosado. Peguei minha bolsa, e desci correndo para o taxi.
Cheguei ao colégio e vi algumas convidadas pelos corredores, com sorrisos de orelha a orelha vindo me parabenizar. Pareciam ter tomado ao menos seis litros de café cada uma, pois estavam exageradamente animadas. Fui até a sala de aula, assisti a duas aulas e saí mais cedo, para buscar as fantasias que encomendei com a costureira da família.
- Clotilde, elas ficaram um amor e acho que as medidas ficaram perfeitas! Obrigada mesmo, mande a conta para meu pai e ele te pagará ainda hoje.
Saí da costureira bem contente com o resultado, e queria muito ir para casa e provar todas logo, para confirmar. E quando cheguei foi exatamente o que fiz. As fantasias caíram como uma luva, perfeitamente bem. Depois disso almocei rapidamente, fui levar o Brownie para o Pet Shop, fui ao salão, fiz mão e pé, hidratação no cabelo e uma excelente limpeza esfoliante de pele com cremes naturais refrescantes.
Saí de lá no finalzinho da tarde, e já fui direto para casa. Chamei um amigo cabeleireiro e maquiador para terminar com a produção, e em três horas estava totalmente pronta. Com a primeira fantasia, de chapeuzinho vermelho, entrei na limousine com alguns de meus amigos. Entre eles, Valery, Moni, David, Zac, Ashlee e Tyle. Não existe after party? Para nós existe pro party! Um pouco de vinho com músicas no último volume.

22 de novembro de 2010

Capítulo XII

E chegou o dia da entrega dos convites. Um dia esperado por todos, mas bom somente para alguns, aliás, minha lista era realmente extensa, entretanto nem todos teriam a sorte de serem convidados. Cheguei ao colégio e logo se formou uma rodinha ao meu redor.
Chamei pela Moni e escutei uma resposta em meio a pequena lotação dos corredores.
- Pode me ajudar a entregar os convites da minha festa?
- Ai meu deus! Os convites da festa do ano! Mas é claro que eu ajudo!
- Obrigada! No intervalo, estamos atrasadas para a aula.
No intervalo andamos de um lado para o outro no refeitório, seguidas por olhares curiosos e ansiosos. Depois de termos entregue todos os convites das felizardas de nosso colégio, propus que fôssemos embora mais cedo e aproveitássemos para comprar as melhores fantasias das lojas da região, e mais tarde, na saída do colégio de meninos entregarmos mais uma parte dos lindos envelopes de cor creme e letra dourada.
Vocês sabem como ficam essas lojas antes de uma grande festa à fantasia? Saímos e, Ashlee, Valery, Allice e Lindsay vieram conosco. Ao entrarmos em uma loja, tive um acesso de alergia, em meio a aquelas fantasias velhas e paradas nos cabides. Não iria usar uma fantasia daquelas de jeito nenhum, não mesmo. Mas minhas amigas pareciam ter encontrado algo.
Valery estava segurando uma fantasia de Minnie Mouse, Ashlee já optou por uma de pirata, Monique quis uma de policial e Allice, uma de fada Sininho. Já Lindsay, que estava querendo conquistar um menino engraçado da turma de Phillip, optou por uma de donuts. Bem, até acho que pode funcionar, porque ela arrancará muitas risadas dos convidados.
Acho que eram até bonitinhas, exceto a de donuts, mas eu queria algo que não me fizesse espirrar e sair com o nariz vermelho em todas as fotos. Elas acabaram levando e depois fomos tomar um cappuccino em uma cafeteria cafeteria próxima dali.
- Kat, o que todas estão dizendo é verdade? Você não vai mesmo convidar a Kayla?
- Ela estaria em minha lista se não tivesse traído completamente minha confiança. Antes qualquer uma, até minha pior inimiga, menos ela Lindsay.
- Bem, eu sei. Mas eu soube por aí que Kayla estava combinando uma surpresa para você, com alguém, há muito tempo. Foi toda a fofoca que eu consegui captar, mas parecia surpresa grande.
- O que será que ela estava inventando? Bem, se curiosidade nunca matou ninguém até hoje, continuo muito bem. Ela não vai entrar na lista, em hipótese alguma.
Bem, depois de muitos olhares surpresos, risadas e fofocas saímos da cafeteria e fomos em direção ao colégio dos meninos. Eles estavam saindo aos poucos, mas já que minhas amigas estavam me ajudando a entregar, aproveitei pra procurar discretamente um menino em especial. Bem, e foi aí que vi Phillip passando pelo portão, distraído com seu celular.
Não demorou muito para que ele me visse, e sorrisse. Eu sorri para a mesma direção, fui chegando perto, abri meus braços, e... abracei Zac que vinha logo atrás.
- Kat! Que bom te ver! Salvou minha manhã! O que faz aqui, minha linda?
- Zac, querido! Bom te ver também. Viemos entregar meus convites. A propósito, aqui está o seu. Eu mesma fiz o favor de ficar com esse.
Continuamos a conversar, mas eu estava observando Phil com o canto dos olhos. Foi aí que me lembrei de algo. Me despedi rapidamente de Zac e fui a procura das meninas. Vi Ashlee chamando Phil com um envelope na mão. Andei um pouco mais rápido, passei por ela e o peguei. - Hum, melhor eu ficar com isso Ash, obrigada.
Ela ficou sem entender. Ele ficou sem entender. Até eu fiquei sem entender... o que tinha na cabeça quando escrevi seu nome em minha lista de convidados.
Bem, a manhã foi longa, só queria voltar para casa, assistir um bom filme de romance e tomar sorvete light de amora.

17 de novembro de 2010

Capítulo XI

Os dias estavam se passando tão depressa que eu mal conseguia pensar direito. Kayla estava faltando nas aulas, Monique estava mais animada do que eu com minha festa, Ashlee continuava com inveja dos outros, Zac continuava um fofo comigo e Phillip continuava me ligando. Foi aí que me lembrei de ver meus e-mails. Na viagem, havia anotado meu endereço no braço de Joe, mas não estava esperando que ele tivesse realmente me escrito. Me surpreendi porque seu nome estava lá e estava me provando que não havia me esquecido. Meu coração acelerou-se e quase saiu pela boca.

"Kat,

Não sei o que está acontecendo comigo, parece que você foi embora e me levou com você. Não consigo pensar em mais nada, nem em mais ninguém, a não ser em você. Acho que estou apaixonado. Fico desejando todas as noites ver o seu rosto de novo, segurar forte sua mão nas ondas fortes do mar e tirar fotos do seu sorriso.
Me lembro de quando você me disse o dia do seu aniversário, e sei que está chegando. O que gostaria de ganhar, que eu pudesse te enviar por correio? Me responda o quanto antes, se puder.

Com amor, Joe."

Respondi logo em seguida, já esperando ansiosa por um novo e-mail. Eu sinto tanto a falta dele e se pudesse, trocaria todos os meus perfumes importados e todos os meus esmaltes personalizados para vê-lo outra vez. Como você sabe, eu sempre consigo o que quero, e nunca preciso abrir mão de nada.

10 de novembro de 2010


Capítulo X

Estava com a cabeça tão lotada, tantas coisas pra me preocupar, tanta vingança em minhas veias, que até fiquei sem tempo de me lembrar que em duas semanas chegaria meu aniversário. Sou daquelas que planeja a festa do ano, tão comentada e esperada por todos. Fiquei bem desanimada, mas não podia decepcionar meus queridos amigos.
Já era tarde, todos em casa dormiam, até mesmo Brownie que estava deitado sob meus pés tirando um cochilo. Quer pantufa melhor? Aproveitei para fazer um rascunho da lista de convidados. E nisso foram se passando as horas, e já eram três da manhã quando me lembrei que não poderia chegar atrasada à aula novamente, pois ia ter um teste surpresa logo na primeira aula.
Sim, um teste surpresa que tem toda terça-feira, que somente Sra. Carter acha que ainda é surpresa. Eu sabia a matéria de cor e eu tinha talento para o francês, mas estava com notas baixas devido aos atrasos, pois a infeliz sempre anotava em sua caderneta e já corrigia minha prova valendo a metade da nota. Já usei todas as desculpas possíveis e nada ia me salvar.
Fui dormir com nomes berrando dentro de minha mente. Eram tantos convidados que, eles pareciam morar dentro de minha cabeça, e imploravam para entrar na lista e não serem esquecidos. Todo ano eu fazia isso, e normalmente, o convidado esquecido era alguém especial.
Precisava dormir, mas algo me mantinha acordada. Sentia falta de algo, muita falta. Acho que precisava fazer compras.




5 de novembro de 2010

Capítulo IX

Depois do intervalo voltamos para a sala e tivemos mais algumas aulas entediantes. Kayla não estava lá, mas ela não merecia que eu me importasse com ela.
Voltei para casa satisfeita, fui ao meu quarto e me joguei em minha enorme cama. O Brownie logo apareceu por entre os lençóis para me dar um oizinho.
- Brownie, danadinho. Ficou a manhã toda cochilando em minha cama, não é? Preciso confirmar seu horário no pet shop hoje.
Me levantei e fui até o interfone do lado da porta.
- Bertha? Minha mãe já chegou?
- Não ainda senhorita Kat, deseja alguma coisa?
- Hum, sim, na verdade. Pode ligar para o número anotado no bloquinho da cozinha, e confirmar o banho do Brownie? Ah, e me traga um sanduíche natural com suco de melancia, por favor.
- Claro senhorita, em alguns minutos.
Liguei a tevê e fiquei vagando pelos canais, sem interesse algum em assistir alguma coisa. O telefone tocou, mas esperei a Bertha atender lá em baixo. Segundos depois ela me comunicou pelo interfone que era pra mim.
- Oi, quem fala?
- Kat, por favor, me escute antes de pensar qualquer coisa. Kayla não teve culpa de nada, pois eu fui procurá-la. Se existe alguém que merece levar a culpa, esse alguém sou eu. Por favor, não faça nada com ela, ela está muito triste, me ligou aos prantos.
- Fiquei realmente comovida Phillip. É muito emocionante o modo com que você se preocupa com ela. Lindo vocês dividirem a culpa dessa maneira. Mas acredito que culpa você não tem, pois a partir do momento que você deixou de existir na minha vida, eu pouco me importava com o que você fazia ou deixava de fazer. Mas infelizmente, eu ainda tinha uma melhor amiga e não contava com a atitude dela. Kayla não traiu minha confiança, acabou totalmente com ela. Então, se já se foi toda a minha confiança, não vou deixar que se vá também, meu precioso tempo com essa ligação. Então, tenha uma boa tarde.
- Mas Kat, eu...
Então desliguei o telefone na cara dele. Quem ele pensa que é para vir defendê-la? Ele nunca me defendeu para ninguém. Nunca. As lágrimas voltaram, mas dessa vez estava no seguro do meu quarto. Peguei uma caixa detrás da cômoda, cheia de cartas de amor e ilusões que eu guardei com todo o carinho e sonhei acordada por meses e meses. Rasguei-as em pedacinhos e joguei tudo pela janela. Pontinhos brancos sendo levados pelo vento, se afastando cada vez mais. Me senti melhor.
Em seguida abri minha gaveta e procurei por uma coisa muito mais especial. Beijei a foto com muita saudade, e guardei Joe com todo o meu carinho na mesma caixa. O que ele estaria fazendo agora? Estaria tocando violão na praia para outra garota?

19 de outubro de 2010


Capítulo VIII

Acordei quase jogando meu despertador pela janela. Havia esquecido completamente que tinha aula naquela manhã. Me levantei devagar, um pouco tonta e fui me arrastando para o banheiro. Se salvei meu despertador, bem que podia compensar minha bondade com o espelho, não é? Odeio ser bondosa e odeio minha cara de sono. Tomei um banho, não tão demorado quanto gostaria, vesti a saia pregueada cinza do uniforme, uma camisa branca com babadinhos no colo que eu adoro e um par de sapatos na cor creme com lacinhos. Pelo menos não somos obrigadas a usar o uniforme completo. Uma tiarinha xadrez cinza nos cabelos, um pouco de lápis, rímel e blush na cor pêssego, um hidratante labial incolor e pronto.
Desci para tomar café da manhã e me torturei ao ver a mesa cheia de coisas deliciosas e calóricas. Entretanto consegui me segurar, e acabei comendo um pouco de iogurte desnatado com morangos, suco de maracujá, e uma torrada com patê de ricota.
Mal tive tempo de engoli-la, porque saí correndo e entrei no taxi quase deixando a porta a aberta ao gritar
- Vai! Vai!
Porque, como sempre, estava atrasada. Cheguei no colégio quase aos saltos, batendo todas as portas que haviam no meu caminho até o final do corredor do segundo andar. Aula de francês, Professora Abigail Carter, que azar!
- Com licença. Desculpe-me Sra. Carter. Posso entrar?
- Senhorita, Faske, senhorita!
- Srta. Carter, claro. Posso entrar?
- Não posso te negar não é? Já fez o favor de atrapalhar a aula. Você é indecente as vezes. Não sei o motivo de tanta dificuldade para chegar na hora.
Entrei e sentei em uma carteira do fundo. Senhorita? Vai sonhando vovózinha. Só porque não se casou, não quer dizer que sempre será senhorita. Você está um bagaço.
A manhã passou rápido, a não ser o fato irritante de que Kayla me observava com os olhos tristes e curiosos e a cada intervalo de aula, se aproximava e tentava conversar. Eu simplesmente saía de perto e ia conversar com minhas outras amigas, ia ao banheiro retocar a maquiagem, ou simplesmente colocava os fones de ouvido e deixava o volume da música no máximo, dizendo que agora queria relaxar um pouco. Isso realmente funcionou, mas só até o almoço.
Estávamos sentadas em uma mesa, todas nós. Allice, Monique, Ashlee, Lindsay e Valery.
Quer dizer, amigas sim, mas algumas são um pouco invejosas, principalmente quando seu vestido é mais bonito, sua bolsa é mais cara, seus dentes são mais brancos e seus cabelos são mais brilhantes. Eu entendo, normalmente sentem alguma inveja de mim.
Estava comendo minha salada de alface com cogumelos e bebendo minha água sem gás quando Kayla se aproximou e pediu para falar comigo. Levantei a cabeça devagar, olhei para ela com indiferença e me levantei.
- Claro.
- Eu juro Kat, não sei o que eu fiz pra você. Nunca seria capaz de fazer nada que te magoasse, não quero o seu mal, você sabe. Você tem de acreditar em mim, eu sou sua melhor amiga. O que te fiz?
- Hum, terminou?
Ela afirmou com a cabeça.
- Então acho que posso dizer agora. São cinco coisas. Primeira, se você não sabe o que me fez, com certeza deve ter feito muito mais para não saber a que estou me referindo, coisas que eu não devo saber até hoje, a propósito. Segunda, eu também achava que você não era capaz de fazer nada que me chateasse, mas eu vi que você é realmente muito, mas muito capaz disso e de algumas coisas mais. Terceira, preciso rever meus conceitos, já que também achava que você não queria o meu mal e no final acabou fazendo isso comigo. Quarta, eu podia acreditar em você se eu quisesse, mas eu seria burra, então, não quero, obrigada. E a quinta, mas não menos importante, você era minha melhor amiga, porque agora, de melhor e de amiga você não tem nada.
Sorri e sentei novamente. Uma lágrima caiu sobre a mesa. Água? Não obrigada, ainda não terminei meu copo. E de repente, ela começou a gritar pelo refeitório, uma louca.
- Mas o que eu te fiz de tão horrível para você me tratar assim?!
- Assim? Assim como? Estou te envergonhando na frente de todas? Não, é você quem está fazendo isso.
- Você é tão cruel!
- Crueldade, uma boa palavra. Combina com você, sua sem coração. Não se compra um coração sabia? Só porque você não tem, não tem de acabar com o meu.
- Cruel? Como se eu fosse você!
Ela gritou tanto que minha paciência se esgotou, então, no final elevei minha voz também.
- É mesmo! Se você fosse eu, você não teria se agarrado com o ex namorado da melhor amiga!
Ela parou de gritar, e agora as lágrimas caíam uma atrás da outra, até ela sair correndo para o banheiro.
Me sentei e voltei a comer. Agora, no refeitório só ouvia os burburinhos, e em minha mesa via olhares curiosos.
- Ok, quando vão começar a perguntar, meninas?
Nós rimos e eu contei para elas o que vi. Que elas saibam do que Kayla fez.

14 de outubro de 2010

Capítulo VII

Me virei devagar e sorri. Ela não era inteligente o bastante para notar minha ironia? Talvez não fosse mesmo, mas eu já estava acostumada com o lento raciocínio.
- Foi uma decisão meio repentina, mas, estou aqui.
- E bem bronzeada também! Você está um arraso! Ah, e adorei o vestido!
- Obrigada querida, o esforço para achá-lo valeu a pena, então.
- Estou tão feliz de ver você!
O silêncio reinou por alguns instantes. Ela estava esperando que eu dissesse o mesmo? Não estou feliz de ter que suportá-la no mesmo ambiente outra vez. Não mesmo.
Então ela deu um passo para frente e abriu seus braços. E eu, no mesmo instante dei um passo para trás.
- Desculpe-nos Kayla, estamos meio ocupados agora. Podemos conversar outra hora?
Sorri para Zac e o beijei. Ele entendeu a jogada e entrou na brincadeira. Ela ficou parada ali por praticamente quatro segundos, imagino que pasma, e depois saiu. Nos beijamos mais, rimos, nos beijamos rindo. Foi divertido, mas Zac me amava de verdade. Por que seria tão cruel?
Parei e me afastei um pouco. Ele me olhou questionável, e esperançoso buscou meus lábios outra vez.
- Desculpe Zac, obrigada por me ajudar, mas certas coisas devem ser evitadas, antes que alguém aqui se machuque.
- Não quero piedade, não quero pedido de desculpas. Me use, não me importo Kat.
- Desculpe, eu não quero partir corações e nem quero que minha consciência pese sobre mim todas as noites. Você sabe de quanta maquiagem se precisa para cobrir olheiras?
Rimos e nos abraçamos. Ele era um ótimo amigo. Seria um bom namorado, se eu o amasse. Enquanto isso meu coração estúpido continuava gostando de sofrer. Coração estúpido. Fomos nos juntar a alguns amigos para conversar, beber um pouco e rir de tudo. Infelizmente não ri de muita coisa porque minha mente estava longe.
Senti um pouco de falta de ar e me levantei para ir ao jardim. Tive a impressão de que alguém me seguia, mas devia ser Zac. Olhei para o céu pensativa. Incrível como é tão lindo, e ninguém sente inveja dele. É só essas pessoas olharem para cima para as estrelas queimarem.
- Você está, incrivelmente, maravilhosamente e irresistívelmente linda.
Sorri por dentro, um sorriso vingativo e delicioso.
- Não fiz muito esforço.
Me virei para encará-lo e ele tentou segurar minhas mãos, mas eu as puxei de volta um segundo depois.
- Kat, eu estou arrependido.
- Você se arrepende de muita coisa, Phillip.
- Não, é verdade dessa vez, eu juro. Sabe que eu não entendia quando diziam que não sabemos o que temos até perder? Eu confesso que pouco me importava, até ver você hoje, tão linda, beijando o Zac. Senti tanto ciúmes que desejei ser ele mais do que tudo.
- Querido, se você fosse Zac, você prestaria.
Ele pensou em algo para falar, mas antes que pudesse se justificar, sorri para ele e voltei para a festa. O resto da noite passou rápido e foi muito divertido. Agora estava feliz de estar de volta, afinal, o que é melhor do que ouvir de um garoto que a fez sofrer, que está arrependido? E poder humilhá-lo sem sentir pena? Fui dormir muito bem naquela noite.

12 de outubro de 2010

Capítulo VI

Passei horas indo de loja em loja, mas achei um vestido cinza muito bonito, que acaba uma palma acima do joelho, com um efeito manchado de preto na parte de baixo e aberto nas costas. É claro que a princípio lhe parece um pouco simples, mas eu não preciso de um vestido rebocado para chamar a atenção. Voltei para casa, tomei um banho de banheira para tirar todo o estresse pós-viagem. Fiquei ali dentro um pouco demais, pois acabei dormindo. Então, quando acordei, assustada, sai num salto para fora. Olhei para minhas mãos, e me horrorizei ao ver os dedos enrugados. Precisava encontrar uma solução, e rápido! Coloquei o vestido, procurei por um bom par de sapatos. Escolhi um amarelo, para ter um pouco de cor naquela roupa tão cinza e naquela festa tão... cinza? Peguei uma bolsa de mão preta básica, passei perfume, coloquei um par de brincos discretos, mas uma pulseira de diamantes na mão esquerda. Sombra preta, delineador, cílios postiços, e um batom bege nos lábios. Queria dar destaque aos meus olhos, para desafiar quem achava que teria coragem de me olhar sem medo. Olhei para minhas mãos, e então as vesti em luvinhas curtas de renda preta. Problema resolvido. Usei alguns grampos para prender o cabelo em um coque despojado, e pronto. Estava totalmente pronta para entrar no território do inimigo. Iria surpreender muito, afinal, poucos sabiam que eu estava de volta.
Na limousine, a festa já começara. Eu, Monique, Tyle, Allice e David em nossa pré-festa. Incrível! Infelizmente o lugar não era longe, e eu teria de enfrentrar Phillip e Kayla logo. Disfarçaria sorrisos, manteria a compostura e engoliria cada choro. Posso ser uma bela covarde por trás dessa Kat tão segura de si. Mas isso, ninguém precisava saber.
Descemos, e logo na entrada vi rostos surpresos, animados, alguns falsos, eu admito, mas a maioria acenando. Acenei de volta, e entrei com confiança. Muitas pessoas já haviam chego.
- Kat! Meu Deus, que vestido lindo! Ah Meu Deus, que linda!
- Obrigada Ashlee, igualmente.
- Você está super bronzeada, que inveja!
Nós rimos, mas eu poderia ter acreditado facilmente que era inveja mesmo. Conversamos mais um pouco, até que alguém veio por trás e tapou meus olhos.
- Não precisa dizer nada. Zac!
Me virei e sorrimos juntos. Ele me abraçou forte.
- Que saudade! Os minutos pareciam horas e os dias, semanas, ou até meses!
- Mas Zac, não foi nem uma semana.
Ele falava comigo, mas eu estava um pouco distraída. Com os olhos varri o salão, até que o encontrei. Conversava com uma garota que estava de costas, mas eu a reconheci. Kayla havia cortado o cabelo e ficado loira. Bem loira, a propósito. E aí, ele também me viu. Nunca poderia esquecer seu rosto de surpresa. Ele ficou paralisado, parou de falar, e praticamente não piscava. Kayla se virou e foi na direção do olhar de Phil. E aí, mais um rosto de surpresa.
- Zac, vamos dançar!
Segurei-o pela mão e o puxei para a pista de dança. Estávamos dançando, e eu sentia que do outro lado do salão, eles ainda me olhavam. Cheguei mais perto de Zac e continuamos a dançar. Até que, Kayla sumira. Alguém me cutucou.
- Não avisa as amigas quando volta antes? Que saudade Kat!

9 de outubro de 2010



Capítulo V

Uma parte do vôo passei chorando, a outra dormindo. Incrível, vocês também não ficam completamente sonolentas quando choram? Só acordei pra comer um mini croissant de queijo suíço e tomar um suco de laranja. Sim, paro tudo que estou fazendo para comer, sou uma infeliz. Chegamos antes do que eu esperava. Preferia que o vôo tivesse durado mais umas 4 horas, e eu não me importaria. Não queria mais ter voltado, depois de ter deixado Joe daquele jeito. Nem para Zac e muito, muito menos para Phil.
Mas não havia mais saída, vesti meu casaco sobretudo preferido e deixei o avião. Estava um pouco frio, mas estava de volta para minha querida Nova York. Dei um beijo em meus pais e disse que iria para a casa de Kayla direto do aeroporto.
Peguei um taxi, e no caminho peguei meu celular para ligá-la. Chamava e chamava, e ela não atendia. Achei estranho, ela sempre atendia o celular.
O carro parou em frente ao prédio. Estava pagando o taxista, e me preparando para descer, quando o vi na portaria. Sem dúvidas, era ele. Phil beijou-a e foi embora. Não consegui me mexer. Minha amiga, minha melhor amiga fez isso comigo. Como se não fosse suficiente sofrer por um, agora tenho de sofrer por dois. Pedi ao taxista que continuasse, e me deixasse no Central Park.
Sentei para apreciar a vista. Alguns segundos para me certificar de que ninguém conhecido estava ali por perto e aí comecei a chorar. Minhas lágrimas pareciam que estavam fervendo. Só preciso de um tempo, e todos se arrependerão. Sou Kat Dillemoure Faske, que eles não se esqueçam.
De repente meu celular tocou.
- Meu Deus, garota! Onde você está? Encontrei com seus pais. Você não ia voltar depois?
- Oi Moni. Tivemos de voltar antes porque meu pai teve de resolver alguns problemas no trabalho.
- Sorte sua! Sorte nossa! Tem compromissos pra hoje?
- Acho que...
- Agora tem! Recebemos o convite para a Grey Party. Provavelmente quando chegar em casa, você verá. Estou muito animada.
- Sinceramente eu não estou muito bem para ir em festa hoje.
- Kat, o que houve com você? Você é uma das pessoas mais festeiras que eu conheço em Nova York!
Fiquei um tempo em silêncio. Eles queriam acabar com a minha vida? Não podia deixar isso acontecer. Iria nessa festa de cabeça erguida.
- Vamos na Grey Party!
Desliguei o celular e sorri. Eu gosto de Monique, as vezes acho-a um pouco louca, mas ela é uma boa amiga. Então me levantei e fui fazer algumas compras especiais.

25 de setembro de 2010

Capítulo IV

A água estava mesmo gelada, mas a essa altura, eu pouco me importava. Fazia tempo que não me sentia bem assim. Nunca me deixei levar por nada, por ninguém, mas agora só sentia as ondas me levando, me trazendo. É bom por um momento não ter que fazer escolhas, decisões. Apenas deixar.
Voltamos e sentamos na areia. Voltei a sentir frio. Ele se levantou, foi até seu jipe e pegou seu casaco. Colocou em volta de mim e me abraçou pra me aquecer. Sorrimos.
Conversamos mais, e por muitas horas. Só não sabia quantas. Com ele, eu juro, perdia a noção do tempo. Tiramos até algumas fotos. E admirei-o totalmente ao ouvir ele tocar violão. Amo caras que tocam violão. Isso para mim poderia ter durado pra sempre, mas precisava ir embora.
Pedi que ele me levasse em casa. O jipe parou em frente à minha casa e eu agradeci, disse que tinha sido maravilhoso.
- Maravilhoso foi ter conhecido você Kat.
Ele pegou com carinho uma mecha do meu cabelo que estava em meu rosto e a pôs pra trás. Aproximou seu rosto do meu e eu virei a cabeça para o lado. Ele era perfeito, mas eu mal o conhecia. Sou Kat, não qualquer garota. Então ele sorriu, como se me dissesse que entendia, me deu um beijo na bochecha, mas tão carinhoso que tive de descer do jipe rapidamente para poder resistir.
Entrei em casa e meus pais haviam chego também. Tomei um banho, tirei o resto da maquiagem e desabei na cama.
Acordei, e vi que o dia estava lindo. Coloquei meu biquíni preferido e corri pra praia. Queria poder roubar o mar só pra mim. Estava tudo ótimo. Nem pensava mais em Phil. Quer dizer, devia estar tudo ótimo.
Teríamos de voltar pra casa. Meu pai teria de resolver alguns problemas em sua empresa, e não podíamos ficar. Entrei em desespero, e chorei. Voltar para casa significava voltar a sofrer com uma ferida que ainda não se curou totalmente. E significava ir embora, de Joe.
As horas se passavam rápidas demais, já estava escurescendo. Estava deitada de costas na areia observando a lua aparecer aos poucos no céu, quando ouvi o som de um violão. Ele, vinha lá de longe, e se aproximava de mim. Um sorriso lindo no rosto. Tentei disfarçar, mas acho que meu sorriso não o convenceu.
- O que houve Kat?
- Joe, eu... eu vou embora hoje.
Ele olhou para baixo por uns segundos e deixou seu violão de lado. Sua voz agora era baixinha e falhada.
- Por que? Você acha que está na hora de voltar para aquele outro cara?
Eu procurei por suas mãos, segurei-as forte para mostrá-lo que estava falando a verdade.
- Não, apareceram alguns problemas na empresa de meu pai e ele terá de resolver isso o quanto antes.
- Eu não sabia que teria de me despedir tão cedo. Isso é tão péssimo. Não sei nem como explicar o que estou sentindo agora. Não tem outro jeito? Nenhum outro?
Neguei com a cabeça e minha visão ficou embaçada. Chorona. Nos abraçamos, e eu o senti tão presente. Era como se fosse uma onda, que me puxasse tão pra perto, que não quisesse mais me deixar voltar à areia. Não sentia isso quando abraçava Phillip.
- Eu vinha te fazer um novo convite, mas agora, tudo mudou. Te trouxe um buquê de flores, mas você não vai poder levar com você não é? Pelo menos uma coisa você vai poder levar, é a minha preferida.
Se afastou um pouco, e procurou por algo em seus bolsos. Me entregou uma foto de ontem. Era linda. Estavamos rindo, abraçados. Eu me via sorrindo de verdade. Não disfarçava, não queria esconder minha tristeza. Porque eu estava realmente feliz.
Mas estava na hora de ir e as malas já estavam prontas. Nos beijamos. Nos abraçamos forte e nos beijamos como se o mundo estivesse acabando. De fato meu mundo estava desabando, mas isso iria acontecer logo, de qualquer modo.

17 de setembro de 2010

Capítulo III

Desliguei o telefone e corri para o quarto. Abri a mala e tirei meu mais novo vestido bandage, preto básico. Um par de peep toe cor de melancia. Uma bolsa de mão preta com tachas. Um pouco de sombra preta rente aos cílios, rímel preto, e o mínimo de blush, só para dar uma coradinha. Perfume, brincos discretos, e um grande anel de pedra preta. Uma ajeitadinha no cabelo e, voilà. Quinze minutos depois ele apareceu em frente à minha casa em seu jipe vermelho. E eu, acostumada a sair com homens de BMW. Isso soou esnobe, mas foi apenas uma observação.
Abriu a porta e desceu lentamente, ou estava ficando louca? Era um filme? Se aproximou e me cumprimentou delicadamente, com um beijo em minha mão. Conversamos um pouco e ele me convidou a entrar no jipe. A noite estava perfeita. Lua cheia, noite quente. Fechei os olhos para sentir o vento em meus cabelos. Aos poucos comecei a ouvir uma música que ficava cada vez mais alta. Abri os olhos. O jipe parou em frente a uma casa. Era uma festa. Ele me explicou que só ficaríamos um pouco, pois prometeu à sua amiga que viria.
Uma festa em que não conhecia ninguém, e provavelmente me sentiria uma estranha. E não seria uma? Eu, Kat, que em minha cidade, sou convidada para tudo, aqui preciso acompanhar pessoas.
Enfim, festa é festa, e eu amo isso. Dançamos por horas, conversamos muito e realmente nos divertimos. Mas de repente começou a tocar "You and me" de Lifehouse, uma música que sempre ouvia Phillip cantando. Nunca achei especial, mas naqueles dias, tudo o que me lembrava ele, era especial. Senti um aperto tão grande.
Sai rápido para a varanda, que dava na praia. Nem olhei para trás. Não expliquei. Me sentei na areia, e chorei. Parecia que o barulho do mar saía de dentro de mim. A dor me inundava. Alguns minutos de silêncio. E Joe sentou ao meu lado.
O silêncio continuou. Ele sabia que eu não queria falar nada naquele momento. Me abraçou de leve, encostei minha cabeça em seu ombro. Como conseguia ser tão fofo?
Depois de um tempo, ele enxugou minhas lágrimas com os dedos e segurou minha mão. Eu queria falar.
- É muito triste sofrermos por um outro alguém que pouco se importa com você, não acha?
- Acho. Mas acho ainda mais triste você esconder seu sorriso lindo com esse choro.
Eu sorri um pouco, e me senti corada. E não, não era só o blush.
- Não quero mais pensar nisso, eu estou aqui, estou longe dele. Eu estou aqui, com você. Esse deve ser meu motivo para sorrir.
Ele retribuiu o sorriso e beijou minha testa.
E foi aí que eu pensei, nada melhor que acabar com as lágrimas, do que enfrentando-as.
- Será que a água está muito fria?
Levantei e o puxei pela mão.

15 de setembro de 2010

Capítulo II

E depois veio o almoço. Aquela salada estava realmente boa. O que meu pai faz de tão especial? Não é a toa que é um cozinheiro extremamente reconhecido. Salada, peixe grelhado com um molho delicioso e suco natural de laranja. Depois fomos passear pela cidade. Sabe quando dizem que a cidade é um ovo?
Se você pensar grande pode preparar uma omelete, e deixá-lo mais interessante. Se é que você me entende. Um Deus Grego, a poucos metros de distância. Bronzeado, cabelos dourados, olhos azuis profundos. Trabalhava em uma lojinha de lembranças. Sim, um trabalho muito simples pra uma perfeição como aquela.
Passei devagar, senti que me notou. Entrei e comprei um caderninho de anotações, com uma capa da paisagem da praia. Tirei minha caneta de estimação da bolsa, e anotei com uma letra impecável o telefone da minha casa da praia. Ele tinha de me ligar, não tinha? E deixei em cima do balcão, com o dinheiro para pagar o caderninho e fui embora elegantemente. Posso preparar minha omelete agora.
O resto do dia não teve nada de especial, mas estar sentada na areia fina e clara, tomando água de côco, nunca deixaria de ser especial. Mas de repente, senti um desespero. Queria ir embora, voltar para... Zac? Voltei correndo para dentro e procurei por meus pais. Em cima da mesa, um bilhete. Haviam saído para jantar. E disseram que um rapaz ligou procurando por mim.
Retornei a ligação, e uma voz maravilhosa e rouca atendeu do outro lado.
- Saiba que é muito raro deixar meu telefone em um balcão.
Não estava vendo seu rosto, mas ele parecia estar sorrindo.
- Prometo levar isso em conta. A propósito, sou Joe.
- Joe. Bonito nome.
- Convenhamos, não mais bonito que Kat. Mora aqui?
- Não, infelizmente. Meus pais têm essa casa, mas na verdade moramos um pouco longe.
- Que pena! Já sabe quanto tempo vai ficar?
Parei por um momento. Não podia ir agora. Sorri para mim mesma e respondi
- Mais dois dias. Seria suficiente?
Ele riu. E até sua risada era bom de se ouvir.
- Só se aceitasse sair comigo.
- Diga e eu pensarei com carinho.
- Hum, tem algo para hoje?
- Não, mas não sou tão fácil quanto pareço. Um número de telefone é apenas um número não é?
Rimos. Mas no fundo eu queria sair hoje.
- Qual é o endereço Kat?

13 de setembro de 2010

não sei se alguém vai ler isso. mas eu realmente senti falta de escrever aqui :)
vou fazer uma história, aos poucos, mas ela não será longa. vamos ver no que vai dar.




Não se compra um coração

Capítulo I
Atravessei a rua correndo. Perdi o taxi, e meus pais estavam me esperando. Íamos viajar. Achei bom a princípio, pois precisava ficar longe de Phillip por uns dias. Mas agora, sentia meu coração apertado como se estivesse partindo pra sempre. Como se estivesse deixando meu inútil coração aqui, com ele. E ele mal sabia. Isso dói.
Passei pelo grande relógio da praça da principal. 16h30. Estava definitivamente atrasada. Mas achava que era tarde demais para ligar para casa e dizer que podiam ir sem mim, que ficaria na casa de Kayla. Em um movimento quase que involuntário e rápido, tirei meu celular de dentro da bolsa. Ligando para casa? Antes fosse.
- Phil, estou indo viajar. Ficarei incomunicável por uns dias. Alguma palavra? Uma frase? Algo mais? E eu fico.
Pude sentir o silêncio me queimando por dentro. Os segundos passavam e meus olhos ardiam.
- Desculpe, Kat. Nada mais.
Desliguei o celular, e continuei correndo contra o vento. As lágrimas vieram discretas. Mas por dentro me sufocavam. Nunca mais ia procurá-lo. Nunca mais.
Cheguei em casa, já estava tudo pronto. Depois disso, a única coisa que eu queria, era entrar naquele avião.
Fui ouvir um pouco de música, mas todas me lembravam Phillip. Então, deitei a cabeça no banco, e fechei os olhos. Chorar me deixou definitivamente cansada. Dormi por muito tempo, e só percebi isso quando acordei horas depois com a forte luz do sol que vinha da janelinha do avião, direto em meu rosto.
Bem cedinho, novo dia. As únicas coisas realmente comestíveis do café da manhã foi a salada de frutas e a tortinha de maçã. Comida de avião não era de minha preferência. Mas dormindo perdi tantas refeiçõezinhas como essa, que estava faminta. Depois, o tempo não foi tão injusto comigo, e o resto da viagem passou depressa.
Logo que chegamos à casa da praia, tirei o salto, e fui correndo molhar meus pés na água. Sentia falta do calor, morando em uma cidade tão congelante. Areia quente entre meus dedos, aquele mar. Aquele verde. Tão lindo quanto os olhos dele. Senti outra lágrima escorrer.
Não podia me deixar abater. Ele não tinha coração. Se não tinha, não significava que teria de dá-lo o meu. Tinha quem merecia mais. Zac. Ele sim merecia. Pude perceber um leve sorriso em meu rosto.

26 de maio de 2010

seja meu.



mesmo quando eu digo que posso morrer de amor, eu minto. quem morre de amor, sem ter o seu? por favor, seja meu. olhe nesses olhos que te buscam, sinta as batidas de um coração que já sofreu. seja meu. sou sua, como meu amor que te pertence. se você se perder, pode se encontrar em minha mente. eu não sei o que você sente, mas continuo te querendo, assim, incodicionalmente.

obrigada :)
beijos #lillyteconta,
e comentários aqui em baixo por favor? *-* haha

14 de maio de 2010

pra quem sorri, riso.
pra quem chora, chuva.
pra quem dorme, beijo.
pra quem grita, silêncio.
pra quem espera, momento.
pra quem ama, você.

beijos, #lillyteconta
e como é mais fácil comentar pelo blog mesmo, agora que tenho leitoras eu liberei os comentários *-* haha, quero saber o que você acha! :)

4 de maio de 2010

hoje quero falar de amor. não que eu realmente o conheça o bastante pra poder falar dele. ele ainda não bateu em minha porta, mas minha janela está sempre aberta se por um acaso ele passar. o dia está bonito, um cenário digno de um romance. não que eu tenha vivido um. por enquanto só o tenho em um livro velho,que vivo meus dias e noites lendo e o relendo, pra me imaginar constantemente apaixonada. se sentir apaixonada, sim, um sentimento muito forte. diz que nos faz sentir borboletas no estômago. mas ainda não vi nenhuma borboleta voando no meu quintal esta manhã. acho que nesse mundo apaixonado, todas as borboletas que existem já estão no estômago dos que amam. e só o que eu sei, é sobre o que ouço, sobre o que dizem, sobre o que sentem. todos podem viver uma grande mentira, mas gostaria muito de continuar sendo mais uma pessoa nesse mundo, que sonha acreditando. amanhã quero falar de amor, porque palavras podem consolar um coração que ainda não sente.



beijos, #lillyteconta
e reply to @lillyteconta *-* estava pensando em liberar os comentários aqui no blog mesmo, porque é mais fácil e agora já tenho algumas leitoras. o que vocês acham? quero que os comentários continuem, haha!
obrigada, mais uma vez :)

eu te amo. te amo com todas as minhas forças, mesmo que chorar me deixe um pouco fraca. queria poder voar e fugir pra longe, mas sem você mal consigo tirar os pés do chão. eu te amo. e sempre vou te amar. mesmo quando o dia amanhece sem a luz do sol, e em meus olhos se formam tempestades de lágrimas. eu te amo. e sempre vou te amar. mesmo quando você não me olhar mais, e desistir de uma vez por todas de me amar.

1 de maio de 2010

sou livre. não queira me engaiolar.



solto palavras ao vento, e as deixo voar. corro a qualquer lugar, corro até cansar. tenho o poder de me controlar. sei o que pensar, o que devo falar. posso ser complicada mas entender a mim mesma. posso dar cor a uma paisagem triste. posso manipular meus sonhos. posso escrever meu destino. posso mandar em meus pensamentos. devo domar meus sentimentos. posso fechar os olhos e deixar de ver o que não me agrada. só não posso amar e não ser amada.

beijos, #lillyteconta
gostou? opiniões pra @lillyteconta por favor? :)
e #lillyteconta no final da frase se copiar *-*
me desculpem meninas, sei que peço muito :x hahaha obrigada!

18 de abril de 2010

em um jogo, alguém sempre vai ter que perder.




e eu perdi a vontade de jogar com você. aliás porque, não tenho mais interesse de vencer. não vou fazer nada só pra te agradar, pra ganhar seu amor. porque vitória nenhuma vai curar as feridas que você deixou em mim. jogue suas cartas, por mim pouco importa se você não tiver nenhuma outra escondida na manga. já não existe mas trapaça, nem ilusão. agora o jogo é meu, e eu já decidi, você perdeu. aqui você segue as minhas regras. já não tem mais nada pra se ganhar, porque o que eu tinha, já se perdeu. perdi o amor, perdi a esperança, e agora só me restaram algumas palavras frias. coloque suas cartas na mesa, elas já não vão ser fortes o bastante pra mim. game over, meu caro. não queira mais fazer de meu coração um tabuleiro. porque nesse jogo não se pode fazer do amor, sua diversão.

gostou? reply to @lillyteconta por favor? :) obrigada!
ah, e se forem usar a frase em algum lugar, poderiam colocar #lillyteconta no final? *-* obrigada meninas, vocês são demais :)
beijos, #lillyteconta